, li Oi! Sou Mel Hippchen

Especialista em Neuropsicopedagogia Clínica com foco em TDAH & Neurodiversidade

Olá! Estou muito feliz em ter você aqui e compartilhar contigo uma parte da minha jornada de vida e, ao mesmo tempo, o desafio que foi, para mim, escrever e dividir isso com vocês.

Vamos lá…

Nasci em uma bela cidade chamada Salvador, da Bahia; nordeste do Brasil. Entretanto, desde 2001 vivo fora deste continente e, antes de me mudar para a Alemanha – país no qual sou radicada  -, vivi em outros maravilhosos lugares, como Portugal, Itália, Holanda e Noruega.  

Por conta dessas minhas andanças, acabei aprendendo a falar português, alemão, italiano, inglês (embora não fale perfeitamente) e, neste momento, também estou aprendendo francês. Ainda que esses aprendizados tenham ocorrido por pura necessidade, aqueles que se aventuram a aprender uma lingua nova sabem bem o desafio que é, não é mesmo?

A razão pela qual estou compartilhando com você minha jornada de vida e experiências, é para que de algum modo você possa se identificar, tanto com os desafios quanto com as superações e, com isso, ter a consciência que independentemente das intempéries que pode encontrar na vida, com perseverança e esperança, será, sim, capaz de superá-las. 

Acredito que a experiência é muito importante, pois é o que dá base ao verdadeiro conhecimento, e não o contrário… Ao menos foi assim, comigo que, ao longo da minha jornada, vivenciei e acumulei experiências muito boas, embora, outras, bastante traumáticas também.

Aos 5 anos, já tive de lidar, sozinha, com situações incomuns para crianças da minha idade. Sou de uma época em que Psicólogo era “coisa para gente doida“ e, por falta de orientação adequada, acabei sendo destituída da minha infância, em amplo aspecto, isso tudo por falta de diagnóstico e tratamento adequados para alguém que, como eu, era portadora de TDAH.

No âmbito comportamental, eu era diferente das outras crianças e, por conta disso, as consequências foram muito dolorosas em vários sentidos. Diante deste quadro que me acometia, as pessoas ao meu redor acabavam se aproveitando de mim e, como não tinha, ainda, a capacidade plena de me expressar adequadamente às situações, fazia o que qualquer criança faz para tentar sobreviver: mantinha o silêncio.

Infelizmente hoje as coisas não mudaram tanto quando comparadas a essa época… Muitos adultos com TDAH, igualmente, não foram diagnosticados durante suas infâncias e mais: muitas crianças ainda não o são, penso que, muito, por conta da ausência de especialização nesta área, o que torna carente o reconhecimento e diagnóstico mais preciso para este grupo tão específico de pessoas.

A disposição para o TDAH conduz a problemas que a própria pessoa desconhece, não entende e, por consequência, não sabe como gerenciar. Principalmente quando, por não se enquadrar socialmente dentro da “normalidade“, a pessoa acaba lutando contra si mesma já que dificilmente é percebida, socialmente, como sendo atípica.

Em janeiro de 2015, quando fui diagnosticada como portadora de TDAH e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), em primeiro, fiquei simplesmente abismada; depois, cética. Foi uma notícia avassaladora, principalmente porque eu não compreendia de qual forma imperceptível e poderosa os sintomas do TDAH e TEPT haviam influenciado cada pedacinho da minha existência, até então. Tive de rever toda a minha vida.

É normal que neguemos uma situação como essa, claro, pois acabamos vivendo este “luto” quando descobrimos que temos algo que foge da normalidade e, diante disso, a primeira coisa é, geralmente, buscar acreditar que tudo está dentro da “normalidade“, que é só um momento ruim… A negação é, geralmente, o primeiro estágio.

Naquela época, ainda não entendia muito bem sobre a complexidade desse transtorno e confesso que, por conta desse desentendimento, meu chão acabou ruindo. Ruiu, pois, embora eu mesma percebesse algo em mim que me destoava em relação à média das pessoas, ainda assim, tive a tendência comum em achar que era algo passível de ser administrado por mim mesma.

A resistência ao tratamento ocorreu de 2017 até 2020, momento em que recebi o segundo diagnóstico na Alemanha. As consequências?

  • A falta de atenção ao dirigir, que me causou um acidente de carro em que quase perdi minha vida;
  • Vários acidentes domésticos também ocorreram: como bater a cabeça, tropeçar na escada e cair rolando; esquecer o fogo ligado e sair; esquecer a panela no fogo, por vezes, e queimar a comida;
  • Acidentes na rua, como atravessar sem prestar atenção aos carros;
  • Cair no vão que dá acesso ao avião;
  • Cair na estação de trem, dentre outros.

Eu era acometida pela desorganização mental e uma completa falta de foco que mal me permitia ler um livro até o final; também havia o esquecimento: problemas de memória 24h por dia, 365 dias por ano; não conseguia concluir as tarefas simples que iniciava, o que me gerava sobrecarga e estresse por me sentir perdida em meio ao caos, dentre outros sintomas.

Após, finalmente, processar e aceitar, em partes, o diagnóstico, passei a investir horas (muitas horas) para saber mais sobre o TDAH e TEPT. Tinha já reconhecido a manifestação de alguns dos sintomas em mim mesma, embora, pelo meu ponto de vista, avaliei (equivocadamente) que não eram muito marcantes e que podiam estar relacionados a qualquer outra situação.

Eu me considerei dessa maneira porque, afinal, muitos sintomas que eu apresentava não eram exclusivos do TDAH. Aliás, muitas pessoas têm falta de foco e de concentração, procrastinação, irritação e dificuldade em terminar os projetos e nem por isso são portadoras. Diante disso, fui levando minha vida naturalmente, justificando motivos e razões diferentes para meus comportamentos e atitudes. 

O problema foi que algumas áreas da minha vida, como a sentimental, profissional e familiar, por exemplo, começaram a ir de mal a pior. O “start”, o gatilho, ocorreu em dada estressante situação que enfrentei num aeroporto – que devo contar com mais detalhes em breve – e, por ter sido algo que saiu completamente do meu controle, entendi que deveria investigar mais abaixo da superfície.

Mudei minha então a minha postura, procurei ajuda psicológica e comecei a estudar, com mais veemência, a Neurociência. Passei a investigar, pesquisar e estruturar os aprendizados a ponto de me lançar à especialização em Neuropsicopedagogia Clínica… Tudo isso porque queria entender com o que realmente eu estava lidando.

O fato desta minha especialização já foi capaz de, por si só,  mostrar que aqueles que, iguais a mim, sofreram traumas na infância, que têm dificuldades de aprendizagem, que se sentem diferentes, bem como, também, portadores de algumas necessidades especiais ou de determinados transtornos, dentre eles o TDAH, podem ultrapassar barreiras e alcançar seus objetivos.

Diante disso, finalmente dei conta de que ser portadora de TDAH não era o fim do mundo como eu imaginava ser… Aliás, bem longe disso. Mas, devo confessar que minha ficha caiu somente depois da busca incessante por autoconhecimento e leituras (e mais leituras) sobre este tema, apoiada por acompanhamento psicoterapêutico.

Nesse mesmo período, descobri que tinha capacidades incríveis e ouso falar que, no geral, considero que pessoas assim têm até “superpoderes” que bastam ser ativados e direcionados corretamente para que possam proporcionar as realizações lmejadas. Esse é exatamente o conhecimento que eu gostaria de compartilhar com você, veja: a crise foi o que me levou a tornar-me especialista em Neuropsicopedagogia Clínica.

Após este grande evento, passado algum tempo, surgiu a oportunidade de morar na Noruega, situação que me fez viver, na essência, a descriminação tanto no ambiente hospitalar quanto no próprio consultório privado dirigido por médicos noruegueses… Pois é, meus amigos.

Uma dessas situações de discriminação ocorreu quando pedi ajuda a uma médica para dar continuidade ao meu tratamento medicamentoso e de psicoterapia – uma vez que tinha todos os laudos e documentação em mãos. Acabei sendo rotulada, por esta autoridade médica, como sendo uma mera dependente química em busca de “cocaína“… Imagina só?

Esta profissional, entretanto, não sabia que além de eu ser uma portadora de TDAH diagnosticada, também era formada em Pedagogia e pós graduada em Neuropsicopedagogia Clínica – motivo pelo qual evitei abalos mais severos, sabendo que seu diagnóstico (e julgamento) era pautado pelo total desconhecimento sobre esse transtorno.

Mesmo diante deste e de outros desafios, por conta do meu instinto de sobrevivência, segui superando, tratando as feridas emocionais e transformando as dores das minhas experiências traumáticas em energia vital para vencer obstáculos, e alcançar meus objetivos relacionados a essas mesmas questões.

Aliás, mais do que isso: tomei como missão de vida, aprofundar e aprender sobre esta disfunção mental para, com isso, poder gerar base aos profissionais, pais, professores e orientadores, para que se torne possível uma atendimento,  avaliação e diagnóstico mais preciso (e em tempo) para proporcionar a este grupo atípico uma melhor qualidade de vida. 

Caso você tenha interesse em conhecer mais detalhes sobre  treinamentos, palestras, workshop entre e contato comigo e minha equipe por email: mel@melhippchen.com

Um forte abraço,

Mel Hippchen

 

 

 

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